O Natal é, tradicionalmente, a época do ano escolhida para presentear as pessoas mais próximas, de parentes a amigos. E, como a recuperação econômica ainda é lenta, muitos brasileiros buscam alternativas de ampliação da renda para fazer suas compras. Segundo levantamento do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL), 41% dos consumidores pretendem fazer bicos para comprar mais no Natal.


O presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas do Distrito Federal (CDL-DF), José Carlos Magalhães Pinto, diz que essa movimentação é natural e faz até essas pessoas trabalharem mais motivadas. “Grande parte das contratações desta época do ano é feita pelo varejo, que sabe que o dinheiro pago aos funcionários temporários vai fazer girar a economia e acabar retornando para as lojas, pois eles também são consumidores em busca de presentes de Natal”, argumenta.


A chegada do 13.º salário também representa um reforço financeiro que vai refletir nas compras de fim de ano. A pesquisa mostra que 49% dos entrevistados pretendem utilizar o dinheiro extra para comprar presentes de Natal: 45% planejam usar uma parte, e 4% todo o valor. “Isso é extremamente positivo, já que não interfere no orçamento familiar mensal, evitando a inadimplência nos meses seguintes”, justifica o presidente da CDL-DF.


Há ainda 12% de consumidores que não pretendem gastar o 13.º com presentes. Desses, 26% têm a intenção de poupar, 25% planejam utilizar o benefício para quitar dívidas e organizar a vida financeira e 11% querem destinar ao pagamento de impostos de início de ano. “Quem prefere pagar dívidas agora também contribui com o comércio, já que a queda da inadimplência tende a diminuir os juros para compras a prazo. Além disso, o início do ano representa um período de gastos que ultrapassa os impostos para muitas famílias, pois é o período de compra do material escolar das crianças, por exemplo”, acrescenta Magalhães.


Segundo o presidente da entidade, Brasília pode esperar um acréscimo ainda mais elevado que outras capitais nas compras do Natal de 2017. “Temos grande número de servidores públicos, que estão recebendo o salário em dia, cenário que não se repete em todas as unidades da federação”, pondera.


Metodologia


As entrevistas se dividiram em duas partes. Inicialmente foram ouvidos 730 consumidores nas 27 capitais para identificar o índice dos que pretendiam ir às compras no Natal; depois, a partir de 611 entrevistas, investigou-se em detalhes o comportamento de consumo nesse período do ano. A margem de erro é de no máximo 3,6 e 4,0 pontos porcentuais, respectivamente, com margem de confiança de 95%.