Nesta quinta-feira (13), a Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) do Distrito Federal recebeu o Diálogo Unecs com os principais candidatos ao governo do DF. Rogério Rosso (PSD), Alberto Fraga (DEM), Alexandre Guerra (NOVO) e Rodrigo Rollemberg (PSB) participaram das sabatinas, que focaram em propostas para tornar a unidade da federação mais competitiva em relação a outros estados.

O presidente da CDL-DF, José Carlos Magalhães Pinto, anfitrião do evento, ressaltou que o varejo emprega aproximadamente 22 milhões de pessoas no País e que o comércio e serviços correspondem a cerca de 73% do PIB nacional. Ante esse cenário, questionou os candidatos sobre o que pretendem fazer para valorizar o setor e impulsionar a economia dentro de quatro eixos temáticos: eficiência do Estado, ambiente de negócios, urbanismo e serviços essenciais, e justiça, livre iniciativa e tratamento diferenciado aos pequenos. “Esta é uma casa da democracia, e estamos muito felizes por receber a União Nacional de Entidades do Comércio e Serviços (Unecs) e os postulantes ao governo”, comemorou.

Rollemberg, o atual governador do Distrito Federal e candidato à reeleição, foi o primeiro a falar. Dedicou a maior parte do tempo para abordar as conquistas que teve ao longo dos últimos quatro anos, levando em conta a situação de dificuldade em que encontrou a administração distrital. “Assumimos um governo com muitas dívidas e fizemos os ajustes necessários. Hoje, ante outros estados, podemos dizer que Brasília está em uma situação muito melhor, com servidores recebendo em dia”, defendeu.

Ele falou sobre o fim do lixão da Estrutural, a aprovação do comércio eletrônico, o modelo de gestão de hospitais mais moderno e ágil (como o Instituto Hospital de Base), trabalhos em conjunto com a iniciativa privada, como o Simplifica PJ em Taguatinga, que tirou comerciantes da informalidade, entre outras ações realizadas neste mandato. Se comprometeu a melhorar o BRB para além da folha de pagamento dos servidores distritais, aproximando o bando dos empreendedores, reforçou a importância da representação do DF no Congresso Nacional e afirmou que o pleito do varejo de equiparar o DF aos demais estados em competitividade é justo e depende da retirada paulatina de tributos a partir de uma câmara com entidades do setor que tome medidas em conjunto com o governo. “A desburocratização dos processos administrativos e a modernização do marco legal, tendo como foco a retomada do investimento, do desenvolvimento e da geração de empregos serão nossa prioridade”, disse.

Em seguida, Fraga comentou sobre a principal medida para os seus primeiros 100 dias de governo: fazer um “raio X” do Distrito Federal a partir de pesquisas de institutos conceituados, gerando conhecimento sobre receitas e despesas, verificando onde estão os excessos e aumentando a eficiência. “Vou ser muito transparente. Quando sindicatos pedirem aumentos, vou dizer o que está sendo arrecadado e o que é possível fazer, não ficarei enrolando”, afirmou.

O candidato lembrou que é papel do governador “entrar na briga” para trazer de volta as empresas que foram embora do DF porque receberam incentivos melhores em outros estados. Ele prometeu a criação de uma secretaria para micro e pequenas empresas, de forma a dar mais atenção ao setor, de um “Na Hora empresarial” voltado para resolver questões de micro e pequenos empresários, além de inserir a população encarcerada na economia. “Quero que o preso se recupere, mas trabalhando”, opinou.

Rosso reforçou que quem entende de mercado é o setor produtivo, e que embora o DF tenha vocação para a vida pública, o desafio hoje é desenvolver a unidade da federação gerando empregos pelo setor privado. Ele defendeu que o DF passa pela quinta fase da economia, que teria passado pela construção, pela implantação administrativa da nova capital, pelo início da diversificação do PIB com redução da dependência do setor público, e pelo cresimento populacional dos anos 1990. Agora, seria o momento de “metropolização”. Para o candidato, equilibrar as contas públicas com aumento de impostos tem como consequência o aumento do desemprego.

Ele defendeu a redução da burocracia no ambiente empreendedor, a simplificação tributária, com menor custo para o empresário e melhor aferição pelo Estado, além de medidas como o IPTU verde, as parcerias público-privadas (PPPs), em que o empresário poderia ter abatimento na tributação ao prestar serviços para a comunidade, e a desconcentração de empregos no Plano Piloto, a fim de melhorar a mobilidade urbana.

Quem finalizou o Diálogo Unecs foi Alexandre Guerra, com o discurso de referência do Partido NOVO, que critica políticos de carreira que não estão acostumados a pagar impostos como os empresários – categoria da qual ele faz parte – e por isso não saberiam as reais dificuldades enfrentadas pelo setor. “A sociedade civil organizada tem condições de fazer um governo legítimo e independente”, defendeu. O candidato promove concessões e abertura de capital, com avanços na reforma tributária e previdenciária que, na visão dele, necessita especialmente de melhora na gestão, com fundo capitalizado que gere superávit.

Alexandre lembrou que o setor de comércio e serviços hoje é protagonista da economia, se configurando como o maior empregador do DF. Ele prometeu dar mais poder às administrações regionais, diminuir cargos comissionados e secretarias. “Vamos reduzir de 21 para 11 secretarias, tornando a máquina pública mais eficiente e barata, com processos internos mais céleres, e um governo efetivamente digital, em que o cidadão não apenas encontre informações online, mas que possa resolver seus problemas com rapidez nessas plataformas”, afirmou. Quanto à infraestrutura, ele incentivou a verticalização de boa parte da cidade, para dar conta do crescimento populacional e ir de encontro à vontade dos cidadãos, e a regularização fundiária eficaz e ágil, sem incentivar novas invasões.

O evento contou com a participação de diversos empresários e entidades do setor de comércio e serviços da capital.

Eliana Pedrosa

A candidata do PROS ao GDF, que segue na liderança com 19% das intenções de voto – de acordo com pesquisa encomendada pelo Correio Braziliense ao Instituto Opinião Política – não pôde comparecer ao evento, mas enviou respostas aos questionamentos da casa, lidas no início da cerimônia pelo mediador, o jornalista Álvaro Pereira. “Um governo responsável e compromissado com a austeridade fiscal precisa ser incansável na adoção de medidas em direção ao equilíbrio do saldo primário”, afirmou, sinalizando a intenção de eliminar desperdícios e qualificar despesas.

Na última segunda-feira (10), Eliana Pedrosa compareceu à CDL-DF, compondo a série de encontros que a entidade está realizando com candidatos ao governo e ao Senado pelo Distrito Federal – na semana passada, o candidato Fraga foi até a sede da entidade. Na ocasião, ela defendeu a padronização da fiscalização e criticou a geração excessiva de multas a empresas sem negociação prévia. “É inaceitável para quem gera riqueza ao Estado”, pontuou. Eliana falou ainda sobre o combate à insegurança jurídica no DF, ponto que deve avançar junto às entidades do setor, e as PPPs.

Também participaram do encontro o juiz Everardo Ribeiro (PMN), candidato ao Senado apoiado pelo PROS – ele elogiou o Cadastro Positivo como meio de sobrevivência do pequeno empresário, que não consegue pagar dívidas no momento, mas que é historicamente um bom pagador – e o candidato a vice de Eliana, o ex-deputado Alírio Neto (PTB).

Ele apresentou a proposta de agilização nos processos de alvará (que poderiam ser entregues pelos engenheiros responsáveis junto à entrega do imóvel) e falou da implantação do espírito empreendedor em alunos da educação básica, da utilização do conceito de meritocracia no serviço público (para que a remuneração dependa da eficiência dos serviços prestados) e do aumento da arrecadação pela riqueza circulante a partir de um setor produtivo fortalecido. “Queremos voltar com a construção civil inicialmente, e também mudar a matriz energética para a geração fotovoltaica, trazendo novas empresas e tornando o DF a primeira unidade da federação totalmente alimentada por energia solar”, sugeriu.

Sobre a Unesc

No intuito de dar capilaridade e maior eficiência à sua atuação, as lideranças nacionais da UNECS – União Nacional de
Entidades do Comércio e Serviços disponibilizam, através deste guia, os contatos de suas entidades em âmbito estadual.

O objetivo é permitir que as instâncias estaduais mantenham contato entre si e trabalhem de forma coordenada,
principalmente junto a deputados federais e senadores dos seus respectivos estados, no sentido de fortalecer os pleitos nacionais da UNECS e mostrar a força de nossa base em todo o país. Essa aproximação com os deputados federais nas suas bases estaduais é indispensável para que as reivindicações dos setores de comércio e serviços tenham o devido peso nos debates de projetos de lei que afetam suas atividades e também para fazer com que as contribuições da UNECS sejam apreciadas com a atenção que merecem.