O desemprego atingiu níveis recordes este ano e, atualmente, afeta mais de 14 milhões de pessoas no País, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A crise econômica vivenciada especialmente nos últimos dois anos também afetou o comércio. Mesmo assim, o setor continua em alta e, no Distrito Federal, é o que mais emprega a população.

Segundo a Pesquisa Distrital por Amostra de Domicílio (PDAD) do DF, feita pela Companhia de Planejamento do DF (Codeplan), 27,6% da população ocupada trabalha no varejo. Em janeiro deste ano, o nível de ocupação do comércio cresceu 2,5%, o que equivale a 6 mil novos empregos. Em maio, mais 17 mil postos de trabalho foram criados (3 mil a mais que em abril). Os setores que mais empregaram foram serviços (2,2%) e comércio (1,3%).

Para o presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas do Distrito Federal (CDL-DF), José Carlos Magalhães Pinto, os números mostram o quanto o varejo tem sido resiliente, mesmo em meio à dificuldade. “No caso específico do DF, outras variantes se somam à desaceleração da economia neste semestre, como o racionamento de água e o aumento no preço das passagens de ônibus. Tudo isso afeta diretamente o comércio, e mesmo assim continuamos na frente nesse processo de recuperação”, ressalta.

  Nos últimos meses, o cenário tem apresentado melhora – ainda que tímida. Apesar de ainda se manter alta, a taxa de desemprego no Distrito Federal caiu 0,1 ponto porcentual em maio em relação ao índice do mês anterior, de acordo com a Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED) divulgada em junho pela Codeplan. Os saques do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) injetaram dinheiro extra no mercado – o último lote deve trazer mais R$ 1,2 bilhão, segundo estimativas do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e da CNDL. A inadimplência segue em declínio. E a expectativa do setor é que a queda dos juros, oriunda da diminuição da demanda, faça com que o consumidor volte a comprar mais.

 

Na opinião do presidente da CNDL, apesar da incerteza quanto ao futuro político, o pior já passou – o que não significa que os empresários já possam respirar tranquilos. “Neste Dia do Comerciante (16), é necessário lembrar que o varejo tem papel fundamental no retorno do ritmo da atividade econômica, ou seja, o setor deve ser valorizado pelo poder público, com melhores condições, investimento em profissionalização e incentivos”, argumenta.