Quando se fala em Brasília a maioria dos brasileiros pensa no Eixo Monumental, a avenida que leva à Esplanada dos Ministérios e à Praça dos Três Poderes. Poucos conhecem a W3 Sul, uma avenida histórica, que já foi palco de desfiles de carnaval e também abrigou os melhores restaurantes e comércios da cidade. Mas nos últimos anos, a W3 Sul viveu um esvaziamento. A avenida virou palco de pichações e abandono. O comércio se enfraqueceu, várias lojas e restaurantes fecharam – alguns históricos – e os dias de glória ficaram apenas na memória.

A notícia boa é que, em plena pandemia da Covid-19, o governo de Brasília e a iniciativa privada se uniram para revitalizar a W3 Sul. A meta é dar empregos usando conceito de “low touch economy”, para proporcionar consumo e experiência com tecnologia e inovação.


As novidades

As novidades já começaram. O primeiro conjunto revitalizado foi das quadras 510 à 512 Sul, já entregues. Depois as quadras 508 e 510, em andamento. E até o final do ano a promessa é ajeitar a avenida inteira.

E já possível ver o charme e a cara da modernidade no beco da 506 Sul, onde fica uma comunidade criativa chamada Infinu – nome que significa plantas que curam.

O projeto abraçou a ideia da revitalização e resolveu impulsionar a nova fase da avenida com restaurantes, escritórios, lojas e espaços de convivência. Novidades com geração de emprego para 100 famílias envolvidas diretamente no empreendimento.

“O Infinu já está funcionando apenas para take out e delivery “, contou em entrevista ao SóNoticiaBoa Miguel Galvão, um dos sócios e também idealizador do Projeto PicNiK, que há anos leva artes, cultura e informação ao brasiliense.

“Somos 4 restaurantes, 4 lojas de roupa/design, 8 escritórios, 4 tatuadoras, 24 produtores em nossa mercearia, 36 empreendedores criativos em nossa loja colaborativa, além de mais umas 20 pessoas empregadas diariamente no espaço. Todos eles de certa forma vinculados com a história do PicniK”, afirmou Miguel.

No antigo beco de passagem da avenida para os blocos residenciais da 506 Sul – que agora virou praça – funcionam lojas como a camisetaria Verdurão, restaurantes locais como Tu Madre, Antonieta e Comedoria Sazonal, junto com cervejas mundiais e artesanais locais, que também ganharam espaço de destaque.

Em breve, ao entrar no prédio o visitante também terá uma mercearia colaborativa, onde poderá comprar patês, queijos, doces… de pequenos produtores locais.

Na área interna do térreo, uma loja colaborativa com produtos de diferentes criativos, vai dividir um salão com mesas, convidativas para bate-papo.

Na parte de cima, 8 salas comerciais vão abrigar empreendedores de vários segmentos.

Também haverá uma área dedicada para a tatuagem e o terraço, no rooftop, um espaço possível para alugar, com visão para o lindo pôr do sol de Brasília.

Como

“O que fizemos foi por conta própria e graças ao programa Adote um Praça – uma espécie de parceria público-privada que permite aos empresários locais “adotarem” áreas próximas ao seu comércio – foi recuperar com recursos próprios toda a área pública próxima ao nosso negócio, que estava abandonada, criando um diferencial mercadológico”.

A transformação exigiu investimento de quase R$ 50 mil dos empresários, apenas na praça.

“Fizemos isso aqui na 506 Sul, pegando um beco abandonado, que amedrontava o público, sobretudo o feminino e depois das 17h e transformamos na Praça dos Avós, bem iluminada, equipada com mobiliário e bicicletários, com várias plantas, internet Wi-Fi gratuita…criando um ponto onde a comunidade vizinha pode desfrutar tranquilamente e claro, proporcionando um ponto de contato saudável com o nosso negócio.

Agora eles aguardam a movimentação de outros empresários que planejam aterrissar na W3 Sul.

“Duas grandes academias deverão ser inauguradas nas quadras 508 e 509 Sul”, adiantou Miguel Galvão.

Recentemente além do Infinu, dois espaços novos foram abertos: O Mercado do Café, antigo Mercado Municipal, na 510 Sul, a sede do Sicool Executivo, na 510 Sul e o Centro Renato Russo, que foi reformado na 508 Sul”, contou Miguel.

A revitalização

O projeto de revitalização da avenida começou em 2019 pela atual gestão do Governo do Distrito Federal, em parceria com a Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Distrito Federal (Fecomércio) e a Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL).

A proposta é remodelar a W3 Sul e a W2 Sul, uma rua paralela, respeitando a história e o tombamento da cidade.

O projeto prevê reorganização dos estacionamentos, paisagismo e arborização, revitalização dos becos entre os blocos, recuperação e troca de piso das calçadas, a troca da iluminação e a pintura de sinalização.

Carros serão proibidos na avenida aos sábados das 14h às 22h, para a livre circulação de pessoas.

Já os lojistas se comprometeram a reformar e padronizar as fachadas das lojas.

Ao que tudo indica, em breve, turistas e moradores poderão viver outros dias de glória na “nova avenida”, idealizada por Lúcio Costa no final da década de 1950.

 

Fonte: Só Notícia Boa