Em 2016, 8,9% das famílias endividadas não conseguiram quitar os débitos e permaneceram inadimplentes. Isso representa um aumento de 25,2% de famílias nesta condição em relação ao ano anterior. É o que aponta a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic) Anual da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) divulgada nesta terça-feira (24).


De acordo com o levantamento, a parcela de famílias com contas ou dívidas em atraso alcançou 23,6%, resultado 18,4% acima do registrado em 2015.


O número médio de famílias endividadas, no entanto, teve queda de 3,9% em relação ao ano anterior, passando de 61,1% para 58,7%. Segundo a CNC, embora este índice tenha ficado abaixo do patamar observado em 2015, os demais indicadores da inadimplência tiveram alta, principalmente a partir do terceiro trimestre do ano.


Apesar da redução do nível de endividamento, o número médio de famílias com dívidas ou contas em atraso subiu de 8,9 milhões para 9,2 milhões. Segundo a CNC, esse aumento acompanhou a piora dos indicadores de emprego e renda, assim como o encarecimento do crédito, ao longo de 2016.

Em relação ao número de famílias que declarou não ter condições de pagar suas contas ou dívidas, a taxa alcançou 8,7% em dezembro, a maior taxa para mês da série histórica da Peic, iniciada em 2010.
A retração da economia doméstica é apontada pelo economista da CNC Bruno Fernandes como a responsável pela queda do nível de endividamento e o aumento da inadimplência em 2016.
“A desaceleração do consumo proveniente da piora do mercado de trabalho e das altas taxas de juros ocasionou maior dificuldade às famílias para honrar os seus compromissos no período”, explicou Fernandes.
Ainda de acordo com a CNC, em 2016 houve piora na percepção das famílias em relação ao seu nível de endividamento. A média anual do percentual de entrevistados que se consideravam muito endividados aumentou de 12,4% para 14,3%.   Cartão ainda é o maior vilão
A pesquisa da CNC destacou que o cartão de crédito continua sendo o principal responsável pelo endividamento das famílias. Em 2016, 77,1% das famílias contraíram dívidas por meio dos cartões, o maior índice da série histórica da pesquisa.
Em segundo lugar no ranking de endividamento estão as compras parceladas por meio de carnê, representando 15,4% da inadimplência.
O endividamento com cheque especial apresentou queda em relação ao ano anterior. Já o índice de endividamento com cheque pré-datado, que ficou em 1,7%, se manteve estável em relação a 2015. Em 2010, o número de famílias comprometidas com cheques pré-datados chegava a 4%.
O levantamento mostrou também um crescimento da participação do crédito pessoal entre os tipos de dívidas mais citados pelos entrevistados (10,3%). Segundo a CNC, este resultado interrompe uma tendência de queda deste tipo de dívida observada nos últimos três anos.
Comprometimento da renda
Para pagar as dívidas, as famílias tiveram cerca de 30% da renda mensal comprometida. De acordo com a CNC, houve estabilidade neste percentual. Segundo a entidade, este dado evidencia o aumento do custo do crédito em relação à renda familiar.
Ainda segundo o levantamento, o tempo médio de comprometimento das famílias com dívidas passou de 7,1 meses em 2015 para 7,09 meses em 2016.
Levantamento mensal
Para traçar o perfil do endividamento das famílias brasileiras, a CNC considera os dados da Peic, que é apurada mensalmente pela entidade. A pesquisa é realizada em todas as capitais do país e no Distrito Federal. Ao todo, são entrevistados cerca de 18 mil consumidores por mês.

Fonte: G1